terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Majestade

"I suppose, in a way, this
has become part of my soul.
It is a symbol of my life."
Douglas MacArthur

"sailing on the seven seize the day tripper diem's ready
jack the ripper owens wilson phillips and my supper's ready
lucy in the sky with diamond dave's not here I come to save the
day
for nightmare cinema show me the way to get back home again
(...)
flying off the handle with careful with
that axe eugene gene the dance machine
messiah light my fire gabba gabba
hey hey my my generation's home again"
Mike Portnoy


Certas coisas causam impactos inexplicáveis nas pessoas. Pode ser uma música, um livro, um filme... são coisas estúpidas pra 99,99999% do resto da população mundial, mas que mudaram a vida de pelo menos uma pessoa.
Quando você acha uma dessas coisas, se apega a ela; ela se torna, de certa forma, um símbolo da sua vida, ou de parte dela.
Tem uma certa banda que fez isso comigo. Que mudou a maneira como vejo as coisas hoje em dia. Claro, quem me conhece não agüenta mais as palavras Dream Theater. Mas o símbolo está tatuado no meu braço.


Essa foi a banda que me ensinou a entender e apreciar as citações pop. Foi ao compreender a música desses caras que aprendi a diferenciar cópia de citação. Não, aquele riff de guitarra no final de Peruvian Skies não é mera falta de criatividade, mas sim uma homenagem dos caras ao Metallica. Não, a citação a Herrick (sampleada de A Sociedade dos Poetas Mortos) não está no meio de A Change of Seasons porque é um poeminha bonitinho ou porque foi tirada de um filminho legalzinho, mas sim pra evocar toda aquela sensação claustrofóbica do filme, todo aquele sentimento de urgência de viver sem limites e aproveitar a juventude.
Parece trivial quando eu escrevo, mas não foi trivial pra mim. Porque ao finalmente compreender como funciona a tal citação, passei a olhar mais para o contexto das coisas. Aprendi a procurar as influências de outras bandas na música daquelas que escuto, e perceber como as citações dão um novo entendimento a uma letra, a uma melodia, a um mero riff de guitarra... enfim, perceber que há um objetivo por trás da maldita citação pop. Algumas são gratuitas, claro, mas isso não vem ao caso. As que importam não são.
E perceber depois de um tempo que isso não se limitava a música abriu meus olhos. Dá pra entender que as constantes citações a O Apanhador no Campo de Centeio e O Grande Gatsby são dicas para se entender o comportamento de Toru Watanabe, ou até que o presidente das empresas Queen estar desaparecido no primeiro episódio de Smallville põe todo o universo DC (e não só Oliver Queen) dentro da série. O ambiente muda, o clima da obra muda... e a interpretação deve mudar, como conseqüência.
Minhas próprias citações pop são reflexos do meu humor. Algumas mostram meu mau humor, outras mostram meu bom humor. A ausência mostra o vazio. E às vezes vejo isso nos meus amigos, também. Certas citações me dão um insight sobre o que a pessoa está sentindo. E olha que as citações pop não são poucas entre nerds...
Bom, pra quem se perguntava porque um idiota tatuaria o símbolo de uma banda no braço, já que gostos mudam, evoluem e et cetera, tá aí a explicação. Pode ser que um dia eu venha a deixar de gostar da música que o Dream Theater faz; pode até ser que DT vire uma bandinha emo. Não importa. O estrago na minha vida está feito, e sou muito grato aos caras por isso.

2 comentários:

Molina disse...

Portnoy estava tentando o novo recorde de referências pop por centímetro quadrado?

Vinicius disse...

Concordo com cada uma de suas palavras, achei que nunca ia encontrar alguém com a mesma cabeça que a minha, em achar uma coisa que realmente faça sentido e você se apegue a essa coisa. Pra mim também foi o Dream Theater, essa banda mudou minha visão sobre música também. O que sou grato eternamente por Portnoy, Petrucci e companhia!
Quanto a tatuagem, também pretendo fazer o símbolo, gravar na pele algo que realmente importa!
Parabéns pela citação!
abraço