quarta-feira, 19 de março de 2008

Chaos in Motion

"Nothing but fucking epics tonight!"
Mike Portnoy


O Brasil é mesmo uma merda. Só aqui a produção de um show é capaz de desrespeitar tanto o público ao ponto de um espetáculo marcado para as 21:00h começar às 20:30h.
O Dream Theater é mesmo genial. Só uma banda dessas pra fazer valer cada centavo dos R$ 174,00 pagos no ingresso (R$ 130,00 mais taxa de conveniência e frete) mesmo que você tenha perdido a introdução (que tive que assistir pelo YouTube, porque era a música tema de 2001, o filme tosco mais superestimado de todos os tempos) e a primeira música.
Mas tudo bem. Eu nem gosto tanto assim de Constant Motion. O problema de se perder o começo do show é que falta aquela conexão com a banda. Aquela emoção de ver os caras subindo ao palco e acenando pro público pela primeira vez.
Surrounded compensou tudo. A versão nova é uma das coisas mais fantásticas que já ouvi, com direito ao solo de Mother, do Pink Floyd, jogado ali no meio. E um pedaço de Sugar Mice, do Marillion, que eu (vergonhosamente) desconhecia. Um erro que será corrigido em breve.
Erotomania e Voices, nessa seqüência, foram o ápice da noite. Nem vou mencionar o resto. Blind Faith, Take The Time, trechinhos de Finally Free, Learning To Live, In The Name Of God... nada, com exceção talvez do começo do infame Shmedley Wilcox ("só" Trial Of Tears) foi tão arrepiante quanto a parte "melosa" de Erotomania ou coisas como:
I'm lying here in bed
Swear my skin is inside out
Just another Sunday morning

Seen my diary on the newsstand
Seems we've lost the truth to quicksand
It's a shame no one is praying
'Cause these voices in my head
keep saying...

'Love, just don't stare.'
'Reveal the Word when you're
supposed to'
Withdrawn and introverted
Infectiously perverted
'Being laughed at and confused
keeps us pleasantly amused
enough to stay.'
Faltou The Silent Man... mas até aí, em se tratando de Dream Theater, everything is never enough, como já diria o homem.
Duas horas não foram suficientes, mas valeram cada centavo do ingresso.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Awakening the stranger (revisited)

"No communication, just alienation
I've tried to be patient but nothing, nothing
Why say anything nice when you can say nothing at all?"
Steven Page, Ed Robertson & Tyler Stewart

"Nothing has changed it's still the same
I've got nothing to say but it's O.K."
John Lennon


Por que dizer alguma coisa legal, quando eu posso não dizer coisa alguma?
Porque deu vontade. Todo nerd é, além de um escritor frustrado, alguém que (como todo mundo) às vezes precisa falar. Seja tomando uma cerveja com os amigos, só falando no telefone, escrevendo um livro ou criando um blog, o objetivo é sempre o mesmo: se expressar de alguma forma. Fazer com que alguém, quem quer que seja, ouça ou leia o que ele tem a dizer.
Em inglês existe uma expressão muito legal, chamada writer's block, que no Brasil a gente chama de bloqueio criativo. Mas parece que o sentido não é exatamente o mesmo. É uma daquelas fases em que um escritor não consegue escrever nada... as palavras travam, as idéias não se desenvolvem, a inspiração desaparece. A diferença (que eu acredito ficar mais evidente na expressão inglesa) é que o tal bloqueio criativo acontece por culpa única e exclusiva do próprio criador, que - conscientemente ou não - não quer se expôr ou se comunicar. Nessa tentativa de se alienar de tudo e todos, é o escritor quem impõe esse bloqueio sobre sua mente. Se acontece com os fodões, imagine com os frustrados!
Digressões à parte, ultimamente tenho passado por uma dessas fases. Não é bem um bloqueio criativo... as idéias estão lá, mas parece que estão travando uma guerra dentro da minha cabeça. São tão contraditórias e paradoxais que às vezes se despedaçam, nunca se completam. Parece que mudam de direção no meio do caminho. Talvez seja um writer's block. Ou talvez eu queira que seja, só pra inflar meu ego, quando na verdade é só falta de assunto. Não importa. O que importa é que atualmente não tenho nada a dizer... e nem muita vontade de escrever qualquer coisa legal.
Quando der vontade de novo, eu escrevo. E se der vontade, você lê...