quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Psychobilly Freakout

"Ah, music! A magic far beyond all we do here!"
Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore

Em minha infindável busca pela inspiração perdida, encontrei, outro dia, uma musa ali parada no jardim. Ela tinha a cara da Salma Hayek. Me entendia perfeitamente, ao contrário da Madonna, mas não falava uma palavra em português.
"Por que você me abandonou?"
"I'm so tired, little child. And you never give me your money."
"Eu não tenho dinheiro... por isso preciso de inspiração."
"Think for yourself."
"Sometimes you can't make it on your own," respondi, meio que desconsolado.
"Maybe you're right. Or maybe Katie."
"Quem diabos é Katie? Ah, não importa... eu só queria mesmo um pouquinho de inspiração. Não precisa nem ser aquele tanto que o Neil Gaiman ganha, só o suficiente pra eu escrever no meu blog!"
"I don't mean to break your heart, but you can't always get what you want."
"Não dá pra quebrar meu coração, eu não tenho um."
"When will you break out of your solitary shell?"
"When dream and day unite. Mas enfim, isso realmente importa pra você?"
"Nothing else matters. Time has told me that inspiration's closer to the heart. And you're in a total eclipse of the heart. Poor boy."
"Escuta aqui, moça: eu ainda não encontrei o que procuro. Então dá pra parar de formar frases com nomes de música? Eu quero inspiração, não diálogos hiperbólicos e sem nexo."
"Meh... you just don't get it, do you? My friend John would say that all you need is love. But he's dead and Paul is alive, ain't that funny? Anyway, if you've got to hide your love away, just turn to music. It should give you what you need."
"E se não for suficiente?"
"Patience," ela disse, em sua mais perfeita imitação de Axl Rose. "Have a nice day."

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Beatlemania

"It's Hard - calming the beatle inside of me"
Neal Morse

A vida poderia ser feita de garotas entrando pela janela do banheiro, sonhos dourados, twist, gritos, amores de verdade (daqueles que você sente oito dias por semana, que não podem ser comprados) e guitarras chorando suavemente enquanto o mundo muda.
Mas não. Tem sempre que ser feita de miséria, de correntes, de pesos a serem carregados por muito tempo e de noites que vêm depois de dias duros. E do insaciável desejo por ontem...
Quer saber de um segredo?
...
Sem resposta.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Majestade

"I suppose, in a way, this
has become part of my soul.
It is a symbol of my life."
Douglas MacArthur

"sailing on the seven seize the day tripper diem's ready
jack the ripper owens wilson phillips and my supper's ready
lucy in the sky with diamond dave's not here I come to save the
day
for nightmare cinema show me the way to get back home again
(...)
flying off the handle with careful with
that axe eugene gene the dance machine
messiah light my fire gabba gabba
hey hey my my generation's home again"
Mike Portnoy


Certas coisas causam impactos inexplicáveis nas pessoas. Pode ser uma música, um livro, um filme... são coisas estúpidas pra 99,99999% do resto da população mundial, mas que mudaram a vida de pelo menos uma pessoa.
Quando você acha uma dessas coisas, se apega a ela; ela se torna, de certa forma, um símbolo da sua vida, ou de parte dela.
Tem uma certa banda que fez isso comigo. Que mudou a maneira como vejo as coisas hoje em dia. Claro, quem me conhece não agüenta mais as palavras Dream Theater. Mas o símbolo está tatuado no meu braço.


Essa foi a banda que me ensinou a entender e apreciar as citações pop. Foi ao compreender a música desses caras que aprendi a diferenciar cópia de citação. Não, aquele riff de guitarra no final de Peruvian Skies não é mera falta de criatividade, mas sim uma homenagem dos caras ao Metallica. Não, a citação a Herrick (sampleada de A Sociedade dos Poetas Mortos) não está no meio de A Change of Seasons porque é um poeminha bonitinho ou porque foi tirada de um filminho legalzinho, mas sim pra evocar toda aquela sensação claustrofóbica do filme, todo aquele sentimento de urgência de viver sem limites e aproveitar a juventude.
Parece trivial quando eu escrevo, mas não foi trivial pra mim. Porque ao finalmente compreender como funciona a tal citação, passei a olhar mais para o contexto das coisas. Aprendi a procurar as influências de outras bandas na música daquelas que escuto, e perceber como as citações dão um novo entendimento a uma letra, a uma melodia, a um mero riff de guitarra... enfim, perceber que há um objetivo por trás da maldita citação pop. Algumas são gratuitas, claro, mas isso não vem ao caso. As que importam não são.
E perceber depois de um tempo que isso não se limitava a música abriu meus olhos. Dá pra entender que as constantes citações a O Apanhador no Campo de Centeio e O Grande Gatsby são dicas para se entender o comportamento de Toru Watanabe, ou até que o presidente das empresas Queen estar desaparecido no primeiro episódio de Smallville põe todo o universo DC (e não só Oliver Queen) dentro da série. O ambiente muda, o clima da obra muda... e a interpretação deve mudar, como conseqüência.
Minhas próprias citações pop são reflexos do meu humor. Algumas mostram meu mau humor, outras mostram meu bom humor. A ausência mostra o vazio. E às vezes vejo isso nos meus amigos, também. Certas citações me dão um insight sobre o que a pessoa está sentindo. E olha que as citações pop não são poucas entre nerds...
Bom, pra quem se perguntava porque um idiota tatuaria o símbolo de uma banda no braço, já que gostos mudam, evoluem e et cetera, tá aí a explicação. Pode ser que um dia eu venha a deixar de gostar da música que o Dream Theater faz; pode até ser que DT vire uma bandinha emo. Não importa. O estrago na minha vida está feito, e sou muito grato aos caras por isso.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Crazy Train

"How can you keep your head
And not go insane
When the only light at the end
Of the tunnel is another train"
Mike Portnoy

Às vezes eu tenho vontade de gritar.
Às vezes a única luz no fim do túnel é um outro trem. Eu não sou nenhum Superman, não consigo pará-lo. O impacto é inevitável... mas não é mortal. É assustador, mas nem é tão grave assim. Depois que a fumaça desaparece e os cortes são curados, percebo que estou inteiro. Diferente, mas inteiro. Talvez até melhor do que era antes.
Olho então para o abismo, e o abismo olha de volta pra mim.
Mando-o tomar no cú e sigo caminhando pela estrada de tijolos amarelos.
Os tempos verbais, confusos, choram.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Quase Famosos

"It's all money gum
No artists anymore
You're only in it now
To make more, more, more"
Kelly Jones

Esse trecho de uma música do Stereophonics sempre me incomodou. Nada contra a banda, pelo contrário: ótimo vocal, boas músicas, boas letras e tudo mais. Mas essas quatro linhas mexem na ferida ao lidar com a eterna discussão dos fãs de bandas quase famosas: underground versus mainstream. O eterno pé no saco.
Tem gente por aí que sente um estranho prazer ao se julgar superior a todo mundo porque gosta de bandas desconhecidas. São pseudofãs que parecem torcer para que suas bandas preferidas se mantenham no anonimato por toda a eternidade, só porque assim se manterão "íntegras". Afinal de contas, o underground é sempre melhor, certo?
Tão certo quanto o centro de um buraco negro ser um cara com uma lantera procurando pelo fuzível queimado!
Uma banda não está se vendendo por fazer um clipe e tentar colocar na MTV. A banda já se vendeu a partir do momento que gravou a porra do álbum... ou alguém em sã consciência acredita que os músicos não recebem nada pra fazer música? É o emprego dos caras!
Vejo isso muito nitidamente com os fanaticuzinhos por Dream Theater. A cada álbum lançado, a história se repete: "Portnoy se vendeu", "eles estão cada vez mais mainstream", "se tocar na MTV vira modinha, aí já era" e et cetera. Engraçado é que são essas mesmas pessoas que querem outro Images and Words, que coincidentemente foi o álbum mais vendido na história da banda, com direito a clipe de Pull Me Under passando na MTV a toda hora. Não me lembro de gente reclamando do clipe na época. Santo suco de vaca, seria esse um paradoxo?
O que esse povinho não entende é que tem uma grande diferença entre "fazer música pra vender" e "vender a música que você faz". Não se pode condenar o cara que compõe algo e fica rico com isso. É um luxo proporcionado por esse maravilhoso sistema chamado capitalismo. Pensando bem... não se pode nem condenar o cara que faz música pra vender: é um direito dele, e às vezes saem coisas bem interessantes dali. Afinal de contas, se Zappa estava certo e os Beatles só fizeram o Sgt. Pepper's pelo dinheiro, quem vai reclamar?
Acho fantástico que com o Systematic Chaos o DT tenha voltado a fazer clipes e receber uma divulgação maior. Afinal de contas, eu não tenho medo de deixar de ser "especial" porque minha banda preferida ficou famosa. Eu não sinto essa necessidade de ser melhor do que os outros. Pelo contrário: gosto de compartilhar essa paixão pela música, de discutir cada detalhe do novo álbum com outro fã. Que venham os novos fãs juntos com os clipes e propagandas do álbum na TV.
Não me importa se os músicos estão ficando milionários com isso. Eles merecem cada centavo, já diria meu amigo Nuno Bettencourt, um cara que tem mais que palavras a oferecer.
Kelly Jones que me desculpe, mas a arte pode sim ser motivada pelo dinheiro.
Tenha um bom dia!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Hora de Voltar

"You know that point in your life when
you realize the house you grew up in
isn't really your home anymore?
All of a sudden,
even though you have some place
where you put your shit...
that idea of home is gone.
(...)
You'll see one day when you move out.
Just sorta happens one day, and it's gone.
You feel like you can never get it back."
Andrew Largeman

Engraçado como na maior parte do tempo não damos importância alguma àquela sutil diferença entre "casa" e "lar". Mais interessante ainda talvez seja a sensação de vazio quando finalmente prestamos atenção a ela...
Eu costumo dizer que Hora de Voltar é o filme mais genial que eu já vi. Talvez seja exagero da minha parte... mas a questão é que foi justamente assistindo ao filme que eu finalmente percebi que a casa dos meus pais não era mais o meu lar. Era só um lugar onde eu guardava minhas tralhas e passava o fim de semana.
O impacto é repentino, cruel, doloroso mesmo... porque é quando você finalmente percebe que os últimos laços com a sua família (qualquer que seja ela) se soltaram, e você está sozinho no mundo. Sua família se resume a um bando de pessoas que mora (ou morou) na mesma casa que você. E é tudo tão perfeitamente retratado num filme que passaria despercebido na TV a cabo, não fosse pela Natalie Portman. Engraçado como na maior parte do tempo não damos importância alguma a coisas importantes.
Mas Zach Braff é mesmo um cara foda. As pequenas coisas estão todas lá, misturadas, espalhadas no meio das grandes. A metáfora do lítio é tão óbvia e ao mesmo tempo tão sutil... todo o vazio, toda a solidão do começo do que chamam de "vida adulta", todo o buraco emocional que é a adolescência, tudo tão lindamente simbolizado numa simples pílula. E a solução de todos os problemas tão lindamente simbolizada numa complexa Sam.
Bah, estou digredindo, como sempre acontece quando lembro do filme. O que eu queria dizer mesmo é que desde que voltei de Campinas, sinto falta dessa idéia de lar; de ter a minha gaveta de lixos RPGísticos, de ter aquele cantinho no final da linha verde onde sempre apago meus cigarros, de ter aquele copo com resto de coca em cima da mesa e enrolar pra lavá-lo, mesmo sabendo que é inevitável. Sinto falta de poder sair do banho e ficar andando pelado pela casa. Não que eu fizesse isso, mas eu podia se quisesse. E como diz o Tony, poder é melhor do que fazer.
Enfim, é a liberdade que faz falta. O refúgio. Eu quero um lugar pra mim. Um lugar que seja meu, não importa se eu tiver que pagar o aluguel no fim do mês. Não precisa ser o lugar perfeito nem nada... só precisa ficar no final da escada, pra variar, ao invés da highway.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Em terra de vista perfeita, quem tem quatro olhos é rei!

“…our society has undergone a paradigm shift.
In the Information Age, Sheldon,
you and I are the alpha males!”

Leonard Leakey Hofstadter, PhD


O nerd é o novo cool. Prova disso é que acabei de colocar as palavras nerd e cool numa mesma frase sem transformá-la num oxímoro.
De qualquer forma, parece que Hollywood se tornou obcecada por tudo que é geeky nos últimos tempos… é uma verdadeira invasão dos trekkers, dos sabres de luz e do efeito Doppler à mídia americana. A pergunta que deve ser feita é simples: será que os nerds realmente se tornaram interessantes ou teriam eles simplesmente chegado aos grandes estúdios como roteiristas de séries e filmes?
Uma pergunta menos importante mas que muita gente tem feito: seria Tim Kring o culpado? Nah, eu acho que Hiro Nakamura é mais sinal dos tempos do que causa de qualquer coisa. Temos nerds na TV e no cinema há muito tempo: levemente geeks como John ‘J.D.’ Dorian de Scrubs e o Ross daquela série que se passava em Nova York… como era mesmo o nome? Até o Dawson era um nerd viciado em cinema! Sem contar os estranhões, como Egon ou ‘Doc’ Brown… Great Scott, eles estão por toda a parte!
Mas agora têm superpoderes, salvam a líder de torcida, salvam o mundo, ajudam o FBI, e ainda ficam com a menina no final. Er… tá bom, nem sempre isso é verdade. Humm, tá bom, tirando o Peter Parker, isso nunca é verdade. Mas em algum momento eles ficam com a mocinha, mesmo que a percam (em geral graças aos seus ideais nerds) depois de um tempo.
O engraçado é que de certa forma essa mania de nerdice dos personagens tem sido transportada pra vida real. Atores nerds? Quem diria!? Olhe pro Masi Oka, por exemplo, só pra não nos afastarmos de Heroes. Um japa formado em matemática, que joga RPG e trabalhou na Lucas Arts. Sem falar no fenômeno (em todos os sentidos) Kristen Bell, que virou ícone nerd depois de Veronica Mars… sabe que deram a cara dela pra uma personagem de videogame? E que ela gostou disso?
Devaneios à parte, o fato é que o nerd se tornou um modelo de comportamento. Inteligência e cultura tornaram-se objetivos a se almejar, ao contrário do que acontecia nos (bons) tempos da Lamba Lambda Lambda. Luz no fim do túnel? Estaria a humanidade evoluindo o suficiente pra considerar a inteligência uma virtude? Logo a inteligência, aquela vadia sem coração (como a gravidade) que era motivo de piadas e até já levou gente pra fogueira?
“Por que todos os caras não podem ser como você?”, pergunta a lindíssima Penny a Leonard, que é praticamente a definição do QI alto aliado à falta de trato social.
A resposta é um tanto irônica: o charme do nerd, se é que ele tem algum, sempre foi ser raro. É ser diferente da massa. Ele é culto, inteligente (duas coisas bem diferentes, que fique claro), fracote e bonzinho. A partir do momento em que todas as pessoas se tornam inteligentes, o padrão de seleção de um “bom” parceiro volta a ser o físico. Ou seja: se essa moda pega, voltamos à Idade da Pedra. E olha só que legal: os nerds se ferram! De novo!
Se os nerds viraram mesmo roteiristas em Hollywood, estão prestando um belo desserviço à própria espécie...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Awakening the stranger

"And I can hear it now
Every single word
And when I strain my voice
I will be assured
Outside the storm
But here the big break
That I might chance to dream
That I be awake
Awakening the stranger in your soul"
Neal Morse, Roine Stolt, Pete Trewavas & Mike Portnoy

"If you build it, they will come!"
The Voice


Por que dizer alguma coisa legal, quando eu posso não dizer coisa alguma?
Porque deu vontade. Pura e simplesmente. Como todo nerd e escritor frustrado (tá, isso foi tão pleonástico quanto subir pra cima), às vezes tenho vontade de escrever sobre qualquer coisa, seja ela útil ou não. Vontade de expor aquele ser estranho que na maior parte do tempo fica escondido em algum canto obscuro da minha alma. É uma daquelas necessidades que tiram você da cama e fazem com que fique acordado, sentado na frente de um computador até às 5 da manhã, só pra acalmar o cérebro ou coisa que o valha. Ou sentado na privada. Mas o resultado é basicamente o mesmo.
Quando der vontade de novo, eu escrevo. E se der vontade, você lê...